Dos Bastidores do Impeachment às Urnas de 2026: O Recomeço de Waldir Maranhão no PT

Dez parlamentares maranhenses votaram SIM para o impeachment da primeira presidente eleita pelo PT
O cenário político maranhense e nacional segue reverberando os reflexos de um dos episódios mais dramáticos da história democrática recente do país. Em 2016, o Brasil assistiu ao desfecho do processo de impedimento contra Dilma Rousseff — o primeiro envolvendo a primeira mulher a chefiar o Executivo Federal. No epicentro dos desdobramentos na Câmara dos Deputados, o parlamentar maranhense e ex-reitor da UEMA, Waldir Maranhão, desempenhou papel central e dramático após assumir a presidência da Casa devido ao afastamento definitivo de Eduardo Cunha.
Por trás das cortinas, as pressões foram avassaladoras. Para tentar conter o rito do impeachment, Maranhão seguiu orientações estratégicas de lideranças de esquerda e agiu diretamente sob a influência do então governador do Maranhão, Flávio Dino. Essa aproximação colocou o deputado na linha de tiro da oposição, resultando em hostilidades explícitas no plenário da Câmara, incluindo insultos e tentativas de agressão física por congressistas contrários à permanência de Dilma. Em contrapartida ao enorme risco político assumido, aliados do governo estadual garantiram a Maranhão que ele seria o candidato oficial ao Senado nas eleições seguintes, contando com o apoio irrestrito da máquina estadual — uma promessa que acabou naufragando diante do desgaste político subsequente.
O Voto da Bancada Maranhense: Discursos e Alinhamentos
A sessão de admissibilidade na Câmara ficou marcada pela forte polarização e pelos discursos inflamados da bancada do Maranhão. Abaixo, relembramos como votou cada um dos deputados federais maranhenses presentes naquela histórica sessão e os principais trechos de suas manifestações em plenário:
    • Aluísio Mendes (PTN): Votou SIM. “Pelo fim da corrupção que assola o país e pela reconstrução da dignidade nacional, meu voto é sim.”
    • André Fufuca (PP): Votou SIM. “Pensando no futuro do Brasil e na esperança de dias melhores para o povo maranhense, eu voto sim.”
    • Cleber Verde (PRB): Votou SIM. “Em respeito às manifestações das ruas e pelo resgate econômico do país, voto sim.”
    • Davizinho (PR): Votou SIM. “Acompanhando a decisão majoritária do meu partido e em favor do Brasil, o meu voto é sim.”
    • Eliziane Gama (PPS): Votou SIM. “Pela ética na política e em respeito às mulheres honestas e trabalhadoras do país, voto sim.”
    • Hildo Rocha (PMDB): Votou SIM. “Contra a irresponsabilidade fiscal que destruiu o emprego dos brasileiros, voto sim.”
    • João Castelo (PSDB): Votou SIM. “Pela democracia, pela moralidade pública e pelo futuro dos nossos filhos, voto sim.”
    • João Marcelo Souza (PMDB): Votou NÃO. “Pela legalidade democrática e por entender que não há crime de responsabilidade, meu voto é não.”
    • José Reinaldo (PSB): Votou SIM. “Por entender que o Brasil precisa superar essa grave crise institucional, voto sim.”
    • Juscelino Filho (DEM): Votou SIM. “A favor da reconstrução econômica e institucional do Brasil, voto sim.”
    • Junior Marreca (PEN): Votou NÃO. “Em respeito à estabilidade democrática e contra o golpe, voto não.”
    • Luana Costa (PSB): Votou SIM. “Com a esperança de um novo rumo para o nosso país, meu voto é sim.”
    • Pedro Fernandes (PTB): Votou NÃO. “Por coerência partidária e pela defesa do mandato legítimo, voto não.”
    • Rubens Pereira Júnior (PCdoB): Votou NÃO. “Em defesa da Constituição, da democracia e contra este golpe parlamentar, meu voto é categoricamente não.”
    • Waldir Maranhão (PP): Votou NÃO. “Em defesa da ordem constitucional e mantendo a coerência com a legalidade, voto não.”
    • Weverton Rocha (PDT): Votou NÃO. “O PDT não se curva ao golpismo. Em defesa da democracia e de Getúlio Vargas, o voto é não!”
    • Zé Carlos (PT): Votou NÃO. “Contra a injustiça, o retrocesso social e em defesa da presidenta Dilma, voto não.”

O Isolamento e o Histórico de Campanhas Posteriores
O recuo estratégico de Waldir Maranhão — que anulou a sessão de impeachment e revogou o próprio ato menos de 12 horas depois — cobrou um preço alto. O prometido suporte irrestrito para o Senado Federal nas eleições de 2018 desidratou. Sem espaço na chapa majoritária de Flávio Dino, que acabou abrigando outros aliados, Maranhão concorreu à vaga de senador por uma coligação menor e acabou derrotado nas urnas. Nas eleições subsequentes de 2022, tentando recuperar seu espaço no cenário nacional, ele buscou um retorno à Câmara Federal, mas novamente não obteve êxito, ficando de fora do parlamento e enfrentando um período de forte ostracismo político.
A Nova Aposta: Pré-Candidatura pelo PT em 2026
Buscando reescrever sua trajetória, Waldir Maranhão mudou de rumo estrategicamente. Atualmente, ele está formalmente filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula. O ex-parlamentar consolidou-se como pré-candidato a deputado federal para as eleições de 2026.
Diferente do isolamento vivido em anos anteriores, Maranhão conta com o endosso e o apoio das principais lideranças nacionais do PT, que buscam unificar a base no Nordeste e fortalecer a bancada de sustentação ao Palácio do Planalto no Congresso Nacional.
Convenção Estadual 
O Partido dos Trabalhadores (PT) no Maranhão realizará sua convenção estadual em São Luís para homologar chapa majoritária, destacando os nomes de Felipe Camarão e Eliziane Gama, neste sábado (01/08), no Centro Educa Mais Almirante Tamandaré, no bairro Cohab.  Na oportunidade, o PSB, partido comandado pela senadora Ana Paula Lobato, vai coligar com a federação PT, PCdoB e PV. E para o partido fica reservada a vaga de candidato a vice-governador.
Opinião do Blog: As Reais Chances de Eleição de Waldir Maranhão
A caminhada de Waldir Maranhão rumo à Câmara dos Deputados em 2026 ganha contornos muito mais favoráveis se comparada aos seus últimos pleitos. O ex-reitor da UEMA entra na disputa amparado por uma conjuntura política estadual extremamente robusta. O PT tem vice-governador Felipe Camarão como o pré-candidato ao governo do Estado, liderando o palanque majoritário oficial que conta com o apoio público e direto do presidente Lula.
Historicamente, o Maranhão é um dos principais redutos eleitorais do petismo no país, tendo garantido votações massivas a Lula nas últimas eleições presidenciais. A associação direta da imagem de Waldir Maranhão à forte liderança de Felipe Camarão no estado, somada ao tradicional “voto de legenda” impulsionado pela popularidade de Lula na região, confere à sua pré-candidatura uma musculatura competitiva inédita. Embora o estigma dos eventos de 2016 ainda seja explorado por adversários, o peso da máquina partidária e o alinhamento com o plano federal colocam Waldir Maranhão com chances reais e elevadas de garantir uma das cadeiras em Brasília, consolidando seu retorno ao cenário político pelo principal portão da esquerda nacional.

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